2 de set. de 2010

materias publicadas em jornais




A Semana da Consciência Negra e
o preconceito em Serra Talhada
Escrevo as matérias da edição do mês de novembro do Jornal Desafio da Capital do Estado. Participo de alguns, dentre tantos eventos culturais que ocorrem por aqui. Há uma agenda cultural para cada mês do ano. Chamou a minha atenção para a importância que o recifense deu a Semana da Consciência Negra. Houve uma programação que foi largamente difundida em todos os meios de comunicação envolvendo palestras e caminhada. A Caminhada contra o RACISMO foi organizada pelo Ministério Público. O Ato saiu da Procuradoria-Geral de Justiça, a partir das 14 horas e todos percorreram de pé, os trechos entre os prédios da Ordem dos Advogados do Brasil, Tribunal da Justiça de Pernambuco, Palácio do Governo e Assembléia Legislativa. As faixas exibiam as seguintes chamadas: um olhar sem preconceito para a população negra. Na CDL aconteceu grande debate sobre a lei 10.639 que trata do estudo sobre a historia da África e da Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio. As palestras aconteceram em vários pontos do Recife. Em Feira de Santana, onde convivi por quase 20 anos, a maior cidade do interior baiano fora a Capital, Salvador, uma cidade com quase 900 mil habitantes e muitos negros, com uma cultura reverenciada pelo seu povo, os movimentos negros não são intensos assim, porque a maioria de nós, (me incluindo) já adquiriu a consciência de que somos um povo só. Mas Recife luta por essa consciência bravamente. O atraso de uma comunidade começa a desaparecer quando ela luta para superar suas deficiências se bem que a intolerância quanto ao nosso próximo porque ele é negro, não seja deficiência e sim uma doença. As duas meninas que criei e orientei para a vida são criaturas altamente evoluídas, educadas e que se indignam com a maioria de seus amigos e amigas serra-talhadenses que não tiveram a mesma educação e são preconceituosos quanto aos nossos irmãos negros. Por que Serra Talhada, que é uma cidade doente de preconceito, não preconiza um movimento assim na Semana da Consciência Negra?
ESSE ESPAÇO É DESTINADO A PUBLICAÇÃO DE CONTOS, POESIAS E CRONICAS. O ENDEREÇO PARA ENVIO DE TEXTOS É cadernosliterarios@gmail.com – TODO MATERIA SERÁ SUBMETIDO A APRECIAÇÃO DO CONSELHO EDITORIAL DO JORNAL.
CONTO:

Dia 25 de outubro – dia do construtor civil
O patrono da construção civil é Frei Galvão - o franciscano canonizado o primeiro santo brasileiro. Ele ajudou a edificar o Mosteiro da Luz, enfrentando todas as dificuldades da época atuando como projetista, empreiteiro, pedreiro, servente, mestre-de-obras, engenheiro, arquiteto e líder da força braçal dos escravos.
Em homenagem ao dia do construtor civil resgatamos a história da Construtora e Incorporadora Vila Bela LTDA, que instalada em Serra Talhada teve curta duração, apenas 11 anos atuando na Arte da construção civil (de 1980 a 1991), porém as edificações desafiarão o tempo como parte importante da história municipal.
Nesse curto espaço de tempo a Construtora Vila Bela construiu 23 ginásios de esportes no nordeste, onde estava circunscrita a sua área de atuação. O primeiro a ser construído foi o Ginásio de Esporte Luiz Saul Pereira da Silva, na sede social da Associação Atlética Banco do Brasil, AABB em Serra Talhada e mais de 130 sedes sociais com quadras poli esportivas (quadras descobertas), vestiários, casa de zelador e piscinas em vários municípios. Para essas obras participavam de concorrências com firmas do Nordeste e algumas receberam carta-convite.
Construiu e incorporou no município de Olinda um prédio residencial de oito andares. Diversos postos de abastecimento e serviços em Recife, Jaboatão, Paulista e outros foram reformados e ampliados. Em Serra Talhada construíram diversas residências, grupos e escolas municipais e casas populares no bairro hoje denominado mutirão.
Durante o período de duração Construtora Vila Bela inaugura um conjunto de britagem (britador) com loja de material de construção e indústria de pré moldados, contribuindo com a construção civil desse município.
Depois desse curto período de existência a sociedade entre os dois amigos, conterrâneos de Afogados da Ingazeira se desfez em comum acordo, sem nenhum motivo relevante de ambas as partes. A Construtora e Incorporadora Vila Bela LTDA, com um precioso acervo técnico e norral, permaneceu aguardando o tempo de baixa e os dois construtores que contribuíram de forma harmoniosa e honesta para o engrandecimento desse município - ambos homenageados com títulos de cidadãos Serra-talhadenses - desde a separação, há 19 anos, continuam particularmente no mesmo ramo cada um a seu modo. Israel Lopes de Barros, proprietário da “Israel Barros Construções” é pai do engenheiro recém-formado, Felipe Barros e sua nora Maria Luisa, graduanda do curso de engenheira civil. E meu pai, Luiz Gonzada Dias de Oliveira, proprietário da “LF Construções” é avô dos engenheiros (em fase final do curso), Luiz Henrique e Luiz Eduardo Conserva.


Simplesmente Arnold Rodrigues – documentário
O professor de antropologia e de história da Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada Juraci Jusée, criou um documentário sobre Arnold Rodrigues que será exibido no dia 9 de novembro na Câmara dos Vereadores de Serra Talhada às 19 horas. “Foi um exaustivo trabalho no meu acervo cultural na busca de cenas da atuação de Arnold na TV”, disse Juraci. Na novela Roque Santeiro, por exemplo – que foi exibida em 1985 e Arnold Rodrigues interpretava o "ceguinho" Jeremias, que enxergava mais que os demais personagens da trama de Dias Gomes. Sempre acompanhado Toninho Jiló, seu guia. Segundo Juraci esse foi um personagem forte e hilário de intensa atuação. Ele aparece na primeira cena, no início da novela e também na última, além de aparecer em todos os capítulos. – na primeira abertura do Fantástico em 1974 e noutro papeis marcantes na teledramaturgia como, Soró da novela "Pão Pão Beijo Beijo", em 1983. Produtor, diretor artístico e narrador, Juraci diz que o texto explora a multiplicidade de talentos desse artista Serra-talhadense e que será um encontro de interação com o público formado por artistas de teatro, músicos, escritores, universitários, professores, jornalistas enfim, admiradores de Arnold. Será um encontro informal e interativo, com linguajar descontraído para relembrar e homenagear esse artista multifacetado que foi Arnold Rodrigues. Sua atuação não foi só na música, no teatro, na teledramaturgia mas, também nas letras. Em entrevista publicada no Jornal da Tarde em 09/8/2004 ele responde ao jornalista Alfredo Luiz Filho, que perguntou sobre seus múltiplos talentos qual mais gostava. "É complicado falar qual ofício eu mais gosto. São tão distintos. Como músico, você trabalha com um monte de gente. Como ator, sempre faz personagens diferentes. Desses todos, acho que prefiro escrever, criar”, disse ele. Com apoio da AESET e da FAFOPST, patrocínio do Diretório Acadêmico do curso de História, dia 9 de novembro às 19 horas na Câmara do Vereadores, “Arnold documentário”. Produção, direção e narração Professor Juraci Jusée, abertura Professor Antonio Pinto coordenador do Curso de História.
Arnold Rodrigues – documentário
Um documentário sobre Arnold Rodrigues será exibido no dia 9 de novembro na Câmara dos Vereadores de Serra Talhada às 19 horas. A produção direção e narração é do professor de antropologia e de história da Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada, Juraci Jusée que também foi o idealizador da homenagem que contou com apoio da AESET e da FAFOPST, patrocínio do Diretório Acadêmico do curso de História sob a coordenação do professor Antonio que faz também a abertura.
Juraci diz que o texto explora a multiplicidade de talentos desse artista Serra-talhadense e que será um encontro de interação com o público formado por artistas de teatro, músicos, escritores, universitários, professores, jornalistas enfim, admiradores de Arnold. Será um encontro informal e interativo, com linguajar descontraído para relembrar e homenagear esse artista multifacetado que foi Arnold Rodrigues.
II Semana de Letras da UAST
“João Cabral de Melo Neto e Mattoso Câmara Jr.: fronteiras e engenhos nos estudos da linguagem”
O Curso de Letras da UFRPE/UAST sob a coordenação do Prof. Dr. Iêdo de Oliveira Paes promove de 16 a 19 de novembro a II Semana de Letras da UAST. O evento homenageará dois grandes nomes das veredas linguística e literária: Mattoso Câmara Jr. e João Cabral de Melo Neto. A abertura será às 18h30min na Câmara dos Vereadores de Serra Talhada com a palestra sobre Mattoso Câmara Júnior , proferida pela Profa. Dra. Núbia Bakker (UFAL- Universidade Federal de Alagoas). A inscrição para as conferências de abertura e de encerramento, bem como as mesas-redondas, poderão ser feitas na hora, no local do evento (Câmara dos Vereadores de Serra Talhada).
Já faz algum tempo que o sucesso com o tratamento alternativo de câncer com o avelós e com a babosa vem preocupando a Anvisa que perde terreno para a venda dos seus remédios caríssimos. Em março do ano passado várias matérias foram divulgadas em jornais, revistas e também no Fantástico dizendo calmamente que: “pesquisas sobre avelós estavam sendo encaminhadas e já constataram a cura, mas os médicos recomendam que não façam uso até ser concluídas de fato os experimentos, pois ele é muito tóxico, em alguns casos pode cegar. É melhor fazer o tratamento convencional até ser de vez concluídas as pesquisas”. Esta no meu blog inclusive as fontes citadas www.cancerhc.blogspot.com O parágrafo final é taxativo, persuasivo, foi uma estratégia para coibir o uso, mas parece que não surtiu efeito e agora, a Anvisa, com seu poder ameaçado apela mais uma vez, dessa vez mais taxativa e ameaçadora: primeiro ordena que sejam retirados da internet os blogs e sites que vendem produtos alternativos como a babosa e o avelós, concomitantemente exibem uma série de matérias na TV, como a que foi ao ar no último domingo 26 de setembro, como forma de intimidar as pessoas a não usarem o avelós e a babosa. Inclusive mostra ratos mortos dizendo que nos experimentos com ratos eles morreram. Claro, o câncer também mata, o tratamento convencional mata mais ainda porque você toma veneno e é um veneno muito caro. Os médico também matam. A maioria, trata de órgãos e não de seres humanos e são incapazes de enxergar a angústia, as dores, a ansiedade por trás dos sintomas. No mundo capitalista a doença é vista como um produto. Os médicos, a maioria realiza negócios em seus consultórios quando o problema é câncer. Técnicos em doença perderam completamente a sensibilidade. Uma amiga com câncer me escreveu e encerrou assim: “...estou perdida amiga nas mãos deles, então me envenenando aos pouquinho e o avelós não entra aqui. Tudo é revistado”. Isso é muito desumano e inaceitável.
Eu disse a uma médica que estava fazendo o uso do avelós e ela disse que eu era louca pois que ele ataca o fígado. Eu indaguei espantada, só o fígado? Que maravilha porque o “tamoxifeno”, a droga que as mulheres que tiveram câncer de mama têm que usar durante cinco anos é uma bomba e destrói tudo. Uma amiga da comunidade de câncer relatou que teve hiperplasia endometrial, com o útero crescido com volume de 300cc, e já vinha com um leve sangramento. O tal sangramento evoluiu para uma hemorragia, disse que ficou anêmica em 15 dias, e por fim teve que fazer uma histerectomia, retirando útero, trompas e ovários. A médica afirma que o problema foi causado mesmo pelo tamoxifeno. O tamoxifeno causa espessamento do endométrio e outros problemas uterinos e no ovário. Problemas na retina, secura nos olhos, vista embasada, trombose venosa profunda. Se quiserem constatar a miséria visitem as comunidades de câncer e acessem os tópicos com o nome Tamoxifeno. Se temos um remédio com alto grau de toxidade que ataca somente o fígado, por que não usarmos desde já? Diz um biólogo amigo meu que, o maior impasse é a indústria farmacêutica. O uso de determinadas plantas como quimioterápicos iriam baratear e muito o custo do tratamento oncológico. Porém grandes indústrias querem é lucro. A doença mais grave chama-se PODER, o homem quer poder e o poder é representado pelo dinheiro.
Espero que a Anvisa não consiga intimidar as pessoas doentes com câncer que usam o tratamento alternativo.

Zenóbia Melo: a prosa da perplexidade ou uma reflexão sobre a preguiça
Theodor Adorno ensina que “toda recusa é condicionada e que a exclusão do mundo exterior não deixa de ser uma forma de resistência”. Essa reflexão pode ser aplicada a preguiça que se caracteriza como uma recusa, uma resistência, uma exclusão do mundo retratada na obra de Zenóbia Melo. A marca do livro, ou do texto é o colóquio com a solidão que hora recria diálogos reflexivos, e desses diálogos as indagações a cerca do pecado capital, a preguiça, ora riem-se as duas da inércia dos preguiçosos. É dessa maneira que ela segue inovando, transpondo fronteiras nas quais ainda estão presas muitas pessoas que necessitam transcender os limites da normalidade, do previsível, do convencional. Os símbolos e os mitos presentes em sua obra seguem articulados e permeados pela perplexidade diante da preguiça.
“A Preguiça” é o quarto livro de Zenóbia Magalhães. Ela foi professora, trabalhou na Previdência, no Banco do Brasil e hoje escreve. O primeiro livro, não sei o nome do primeiro livro “ ooooo”, o segundo “Do Fundo do Baú” são poemas, o, terceiro com o título,“Uma história de amor”, Zenóbia organiza a edição do autor póstumo O NOME DO HOMEM Duarte. A autora diz que pretende fazer uma trilogia, que significa da continuidade ao primeiro em mais dois volumes. No momento em que esta escrevendo o segundo dessa trilogia, surge o ímpeto de escrever “A Preguiça”. A autora diz que todos nós somos preguiçosos em realizar uma determinada tarefa que varia de pessoa par pessoa e que iremos nos identificarmos na leitura.
A aveia literária segundo ela, surgiu de repente, ocasionada pela solidão: “do dia pra noite comecei a escrever, explica ela, a minha maneira de escrever é sempre dialogando com a solidão, a interferência dela, as indagações minhas e as respostas dela ou as indagações dela e as respostas minhas”. Mas a autora vem de uma família de escritores talvez justifique melhor essa veia literária. Quanto às perspectivas em torno do lançamento ela diz: “escrevo por prazer, sem esperar retorno financeiro. Alguns compram em consideração a mim e às vezes nem gostam de ler. Outros gostam e lêem e vem o retorno em forma de comentário e identificação com a obra. As coisas são difíceis para um escritor no Brasil, agora imagine em Serra Talhada. Eu solicitei de uma professora que trabalhasse análise sintática com o meu livro e ela disse que estava trabalhando como o Código Da Vince, não desmerecendo o romance policial do escritor norte-americano Dan Brown, mas nós, os escritores Serra-talhadenses existimos e merecemos um julgamento das nossas obras no cenário municipal. Existe uma promessa de Giovanini para a Lei do Livro”. Bom amiga, parabéns. Vamos esperar que essa Lei nos salve de novos Códigos norte-americanos que possam vir por aí.

II edição do Concurso de Redação Agamenon Magalhães

A Academia Serra-talhadense de Letras, o Curso de Redação Sartre promovem com o apoio do Grupo Pajeú, do Jornal de Serra, do Jornal Desafio e do Médico Elias Nunes, a II edição do Concurso de Redação, honrando a memória de Agamenon Magalhães. Sua biografia tem uma significativa importância para a cultura nacional e motivo de orgulho para os Serra-talhadenses. A primeira edição ocorreu no ano de 2003 e teve a participação de Luiz Lorena.

REGULAMENTO:

A Academia Serra-talhadense de Letras promove a II Edição do Concurso de Redação sobre a vida de Agamenon Magalhães. Poderão participar estudantes de Serra Talhada matriculados no Ensino Médio da rede particular e privada de ensino.
O texto deverá versar sobre a vida de Agamenon Magalhães e os concorrentes poderão apresentar apenas um trabalho em forma de redação. O objetivo do concurso é incentivar a juventude a conhecer a personalidade em questão, e estimular principalmente os trabalhos de Redação nas escolas municipais.
Para concorrer ao Prêmio, o aluno deve verificar se a instituição em que estuda irá participar do concurso, depois verificar em que dia será aplicada a prova de Redação pela professora de Redação ou de Língua Portuguesa da sua escola. O aluno tem até o dia da prova para pesquisar e ler sobre a vida de Agamenon Magalhães.
A ficha de inscrição poderá ser recortada do Jornal Desafio ou do Jornal de Serra ou impressa do site: www.agamenonmagalhaes.blogspot.com A mesma deverá ser preenchida e entregue na direção da escola até o dia 5 de novembro de 2010, dia do encerramento do concurso. - dia do nascimento de Agamenon Magalhães. As instituições de ensino terão até essa data para aplicar a prova de Redação. Os trabalhos enviados após esta data ou que não estiverem de acordo com o regulamento, não serão considerados participantes.
O concurso conta ainda com um site que disponibiliza textos sobre a vida de Agamenon Magalhães que o aluno deverá buscar como conteúdo privilegiado para a produção do seu texto. Acesse www.agamenonmagalhaes.blogspot.com é permitido ao aluno levar material para consulta (xérox, livros e recortes de jornais sobre Agamenon Magalhães).

De acordo com o regulamento do concurso, os trabalhos deverão ser inéditos, originais e criativos e deverão ser realizados individualmente. Não serão aceitos trabalhos em forma de poesia, conto ou dados biográficos. Será proibida a participação de familiares dos organizadores e da comissão julgadora.

PREMIAÇÃO: Os vencedores serão escolhidos por uma comissão julgadora formada por 4 membros ligados à educação, à cultura e à comunicação que irão selecionar as melhores redações e receberão, além de um diploma um prêmio em dinheiro: 1º Lugar 400,00 reais; 2º Lugar 300,00 reais e 3º Lugar 200,00 reais. O resultado será divulgado no dia 05 de dezembro, mas os prêmios somente serão entregues no dia 07 de janeiro de 2011, em solenidade na Câmara dos vereadores.


Professora Socorro Duarte
Educação: o cuidado com o advento da condição humana
No pensamento de Gustave Flaubert “a vida deve ser uma constante educação”. Um convite para que a vida se cumpra em constante educação são os mestres. E para ilustrar o imo dessa educação a coluna Arte & Cultura entrevistou a Diretora Adjunta da FAFOPST - Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada, Professora Socorro Duarte, pois ela traz em si a consciência da humana condição que carrega em seu dorso. Há quase 23 anos, mais de duas décadas trabalhando na graduação com Língua Portuguesa, Literatura brasileira, portuguesa e Teoria Literária e ultimamente com lingüística e a partir de 2006 vem, também, atuando na pós-graduação.
Desafio Cultural – como iniciou a carreira de educadora?
Socorro Duarte – Iniciei na zona rural, aos 18 anos na Escola Mínima Fazenda Logradouro, depois vim pra cidade e assumi cadeira na Escola que hoje é a Escola Maria José de Sá Ferraz no bairro da Cajep. Nessa época a escola era pequeninha, resumida a duas mesas e alguns bancos e nós colocávamos os meninos todos numa mesa só. Hoje, eu tenho a felicidade de, atuando na Secretaria de Educação como Diretora Pedagógica retornar à Escola e constatar como aquela de outrora cresceu, ter a grande emoção de vê o seu progresso. Hoje informatizada, um jardim cuidado, as carteiras modernas. Minha vida profissional iniciou assim, bem simples. De lá eu passei a trabalhar na Escola Normal Imaculada Conceição, que era Escola São Vicente de Paula. Em seguida passei pela Escola Solidônio Leite, pelo Metódio de Godoy, pela Escola Irmã Elizabete. No início lecionei inglês e iniciei com o primário que hoje é Ensino Fundamental. Fui alfabetizadora durante muitos anos. 30 anos com Língua Portuguesa, Redação e Literatura Minha pós Graduação é em Metodologia do Ensino Superior e Língua Portuguesa.
D.C.- após mais de duas décadas trabalhando com as mesmas disciplinas como foi o contato com a lingüística?
S.D.- Lingüista foi uma paixão na minha vida. Depois que comecei a trabalhar com a cadeira de lingüista descobri a análise do discurso. Foi tão positivo esse contato que prestei nivelamento para o mestrado em Belo Jardim na Faculdade FABEJA.
D.C. –Além de lecionar, também existe a Socorro que escreve poemas e é acadêmica não é?
S.D.- Meu primeiro poema foi para a minha mãe e eu tinha apenas 12 anos. Eu sou romântica e realista então minha poesia fala de saudade, de amor, de religiosidade e de crítica.
Meu estilo depende do poema, em alguns sou meio parnasiana, árcade, enfim todas as escolas, mas na verdade sou muito realista. Tenho mais de cem poemas e estou trabalhando no sentido de publicar alguns, de fazer uma publicação dupla, um livro e um cd, ambos com poesias. O meu trabalho será um apoio para professores de Literatura ministrar suas aulas porque ele se compraz em uma trajetória desde o Trovadorismo até os dias atuais. Tenho além desse projeto o de lançar um livro de redação.
D.C. – Você é membro da Academia Serra-talhadense de Letras o que significa a ASL para a educação?
S.D. - Eu sou acadêmica sim, minha Cadeira é número dois e meu Patrono é Nelson Rodrigues. A ASL é de uma importância tão ampla que algumas pessoas estão longe de entender, de conseguir assimilar e a desvalorizam. Por exemplo, por causa da ASL o Município foi privilegiado com a Lei do Livro. Nossas crianças bem próximas dos escritores da terra e indo buscar referencias distantes. A Lei do Livro favorece a criança dando-lhe uma oportunidade impar de estabelecer contato com a obra e o autor, um exemplo: Maria Luisa foi até o Logradouro, São João do Barro Vermelho e os alunos ficaram encantados. Pois o autor esta sempre muito distante. Eles tiveram a oportunidade de conhecer uma escritora. “A senhora é escritora mesmo?” Perguntavam. E eles já haviam lido o livro dela, de modo que conversaram sobre a obra. Isso é de uma importância grande, muito grande. Aqui nós temos escritores burilados pelas academias universitárias e temos escritores natos, como é o caso de Maria Luiza que recebeu o prêmio da Rede Globo. Essa garota já tem três livros é de Serra Talhada e a cidade não sabe disso, boa parte não sabe. Temos também seu Oliveira Burrego. Miguel Leonardo é professor da Casa e tem três livros publicados sobre metodologia do trabalho cientifico. Antônio Neto, Dierson Ribeiro, você Helena Conserva são escritores desconhecido que podem vir a ser contemplados com a Lei do Livro graças ao movimento acadêmico. Como esse que citei tem várias outras importâncias uma academia para a educação no município de Serra Talhada.
D.C.- Como Diretora Pedagógica do município como você se realiza?
S.D.- Eu amo a educação e o reconhecimento, o amor do aluno quando você conquista é o que tem de bom, eu respiro educação Helena, essa é a verdade. Como educadora pedagógica eu me realizo porque eu trabalho com as formações continuadas e esta ali trabalhando para o bem, para o engrandecimento, para o crescimento dos alunos, da educação e do município me faz um bem incrível. O educador, tudo passa pela mão dele. Um político ele não se corrompe se ele teve um educador que se preocupou com o lado cidadão da pessoa humana, a orientação deve ser moral e cívica. Então se não agimos assim, e temos essa consciência, ao vermos um político corrupto pode ter certeza de que você contribuiu para a formação desses políticos que estão aí. O educador é muito importante. Eu já passei em concurso de INSS, do Banco do Nordeste, mas nunca assumi. Meu compromisso é com a educação.
D.C.- Você é natural de Serra Talhada quem foram seus mestres?
S.D.- Sou natural de Serra Talhada, filha de Seu José Luiz Duarte de Triunfo e Cecília Celestina Duarte de Floresta. Ele meu ídolo, ela minha inspiração. Pai era sábio e enérgico na hora certa, mãe era perseverante, calma, pacífica. Eles foram meus primeiros mestres. Meus mestres na escola foram meus segundos pais, Professora Nair, Neomésia Francisquinha Godoy e Zuleide Viera no Externato Domingos Sávio, com ela fiz admissão. Era perto do batalhão o Externato Domingos Sávio.

A hilariante e melancólica Maria Filomena Ferreira de Souza

O Centro Dramático do Pajeú, sob a direção de Modesto Lopes e tendo no elenco o ator Carlos Silva, encenou ontem dia 22 de agosto, no Teatro do Colégio Municipal Cônego Torres, em comemoração ao dia do folclore o monólogo “Neurose, a cidade e seus sentidos”. No palco a emoção transbordou da veia artística do ator Carlos Silva, que encarnou a irreverente e melancólica Maria Filomena Ferreira de Souza com sua família imaginária, pois o que ela tinha de seu, de fato e de direito, era apenas a sua NEUROSE. No intimo de cada um de nós há um pouco da neurose de Maria Filomena Ferreira de Souza, e ela termina deixando uma mensagem, que nos convida a ressaltar a importância de refletir sobre nós mesmos e trazer esta reflexão para a nossa vida.
O drama dos manicômios também ficou registrado em uma das cenas, quando ela dizia que todos os anos o seu pai a conduzia para um lugar triste. Dizia que lá todos usavam roupas brancas e lhe aplicava remédios e choques e ela ficava muito triste e deprimida, mas com era o seu pai que a conduzia para aquele lugar, ela preferia pensar que ali fosse uma pousada porque não acredita que um pai pudesse levar uma filha para um manicômio.
O que contemplamos na dramaturgia, além da neurose de Maria Filomena Ferreira de Souza, foi uma encenação rigorosa e um perfeito acabamento de cena, expresso em cenários e figurinos de bom gosto.
Não basta ter jeito para representar como Carlos tem, nem mesmo, em certos casos, talento, mas o que é necessário é saber olhar nos olhos da platéia como ele faz. Essa interação emocional fortalece o teatro. Os mestres do teatro dizem que “não basta amar o palco para estar nele. É preciso uma formação física, emocional e intelectual”. Isso Carlos tem. O teatro de Serra Talhada esta de parabéns, agora é lutar pelo espaço físico.
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Anita Cordeiro Lança:
Minha vida... minha história.

Estive na residência da educadora Anita Cordeiro, que lançou seu livro: Minha vida... minha história. Além do título revelador do conteúdo, a imagem da capa é de um rio e ela foi informando que nasceu na zona rural e que aquele rio caudaloso foi cenário de brincadeiras de criança. O livro é dividido em duas partes: a primeira são poemas, na segunda, um pouco da sua história. Falando dos seus poemas Anita revela a sensibilidade natural dos poetas. O olhar examinador e a sutileza com as palavras na hora de transpor para o papel a sua inspiração em forma de poemas, e que belos poemas. Os poemas de Anita têm saudade, tem esperança e lucidez. Ela disse: “na infância eu já gostava de recitar, era o início, daí pra escrever foi um pulo”. Na segunda parte, são registros que marcaram a sua vida pessoal e de educadora. Ela ressalta a desvalorização da educação pela sociedade ultimamente. Relembrando com saudade dos seus alunos, nos disse que seus alunos diziam: “professora Anita, a senhora é a paz. Pra que conteúdo melhor do que paz? Sabe, nunca vou esquecer meu relacionamento com meus alunos que são como os meus filhos”. Eu gostaria de ter palavras para comentar esse amor e dedicação de Anita por seus alunos. Na ausência, busco as palavras do teólogo Dean William R. Inge, que diz que "O importante da educação não é o conhecimento dos fatos, mas dos valores. " . Anita tem os dois: o conhecimento dos fatos, uma vez que teve graduação em História e dos valores quando diz que seus alunos são como filhos. Anita Cordeiro lecionou no Colégio Irnero Ignácio, Manoel Pereira Lins, Imaculada Conceição, Cônego Torres e fez parte do quadro dos professores efetivos da Faculdade de formação de Professores de Serra Talhada. Parabéns Anita, pois acredito que você tenha conseguido transformar alguns alunos com a sua prática... e muito sucesso.


Mário Novaes e a
ressignificação do projeto
“Arte nas mãos”
As pessoas comuns se empenham para que seus empreendimentos financeiros dêem certo e nós, os loucos, sonhadores, sensíveis – vários significados para definir o que não se defini – nos empenhamos para que a arte, a cultura aconteçam. Não se defini algo que somos e que fazemos por amor a uma causa: que causa? O nome do projeto já diz: “Arte nas Mãos”. Idealizado por Mário Novaes, o projeto tem o objetivo de reunir alguns trabalhos de artes plásticas e artesanato para deixar para a posteridade um acervo histórico, fonte de pesquisa dos valores municipais.
Para compor esse acervo ele reúne 70 trabalhos dentre os quais 35 são telas e 35 artesanatos. Mário disse que gostaria de expor esse acervo em vários municípios e até na capital para mostrar os valores culturais de Serra Talhada. O idealizador do projeto também pretende difundir sua arte através de oficinas, ensinando os jovens a trabalhar com madeira, a cabaça, o barro, o pré-moldado e a massa plástica. “Temos o apoio da Casa do Artesão que é um marco para nós, criada por Tarcísio Rodrigues, mas um projeto como esse precisa de um apoio, um incentivo a mais. Tive grande apoio de Augusto César quando ele esteve na política. Maria Rita também foi uma grande incentivadora do meu trabalho. Já encaminhei o projeto para alguns locais em busca de apoio e estou aguardando afinal, a esperança é a última que morre”.

Casa da Cidadania Professora Francisca de Godoy
Na edição de julho o Jornal Desafio publicou uma matéria sobre os trabalhos desenvolvidos no na CASA DA CIDADANIA localizada na Rua Cruzeiro, 310 no Bairro do Borborema. Este espaço é mantido pela Associação de Moradores que é denominado Associação Francisca de Godoy dos Moradores do Borborema. É sobre Francisca de Godoy Carvalho que esse artigo vai tratar. Dona Francisquinha Godoy como era conhecida. Ela nasceu em Serra Talhada no dia 01 de julho de 1934. Filha do casal Manoel Mário Nunes Peixoto e Ana Godoy Peixoto. O seu desempenho pra com as letras foi perceptível ainda quando criança por seus pais, que logo providenciaram que fosse estudar em Gravatá na casa do seu irmão, Abel Nogueira Peixoto, que era tabelião naquele município, isso em 1947. O irmão proporcionou aquela garota o seu encontro com as letras e ela brilhantemente trilhou no colégio Nossa Senhora de Lourdes das irmãs Dorotéias e em 1951 retornou para Serra Talhada formada no curso Magistério. Em Serra Talhada não custou a ser reconhecida e valorizada por seu talento e competência despertando a admiração e carinho não só dos alunos, mas de toda a sociedade. Em 1956 casou-se na capela do Hospital Regional desse município com as bênçãos de DEUS. Nasceram filhos e filhas: Socorro, Napoleão, Rosário, Jorge, Noeme, Sérgio, Frederico, Leonardo e Virginia que herdaram da mãe a retidão nos propósitos. Francisca Godoy foi católica dedicada, responsável pelas Novenas de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. A professora foi também poetisa. Escreveu poemas muitos deles dedicado a sua filha primeira, Socorro. Recitava e discursava durante eventos. É autora do Hino da Escola Imaculada Conceição. Era solicitada para organizar eventos de educação, para capacitar professores para concursos públicos. Dona Francisquinha conquistou seu espaço e foi feliz, como deixou o pedido que no seu túmulo queria que fosse escrito: aqui jaz uma mulher que na Terra foi feliz. Seu carinho e carismas jamais serão esquecidos pelos serra-talhadenses que a conheceu. Se entre nós estivesse, no início deste mês Dona Francisquinha estaria fazendo 76 anos de vida. No dia 8 de agosto a casa da cidadania completou 3 anos de atividades. Parabéns Graça. Parabéns Dedinha.

Livro, Império do Destino
de Dr. José Alves: obra de duplo valor
Em 24 de fevereiro de 1990, há 20 anos passados, Dr. José Alves autografou para mim um exemplar do seu livro “Império do Destino”. Na leitura sentimos a grandiosidade da obra onde ele mescla passagens da sua vida, de caráter serio e cômico ao mesmo tempo como se fosse uma artifício para nos induzir a prosseguir com a leitura. Interessantíssima a trajetória deste cidadão que foi vaqueiro, almocreve e agricultor depois médico. Soube administrar a sua família com seu exemplo de integridade, dinamismo. Homem de conduta forte.
Os relatos do Dr. José Alves descem pelos porões da sua memória, e revive a infância, a adolescência, a vida de vaqueiro, de almocreve, de estudante do curso de medicina, seu primeiro discurso político, o atleta, o professor, o militar, o médico até a idade atual.
Os escritos do médico é também uma fonte de pesquisa para possíveis trabalhos acadêmicos, monografia sobre a cidade, por exemplo, pois ele descreve aspectos regionais, culturais, geográfico e histórico de Serra Talhada e de uma época que nos reporta ao início do século. São pequenos trabalhos que tomam projeções gigantescas em vista e escassez de material de pesquisa sobre a cidade.

“O ciúme da Jumenta”
de Gilberto Ferraz
Há pelo menos 15 anos que tenho um livrinho na minha pequena biblioteca intitulado “O ciúme da jumenta” de Gilberto Ferraz que é poeta, compositor, cordelista autor de músicas regionais. Venceu em 1978 o primeiro festival de música regional em Serra Talhada. “O ciúme da jumenta” foi lançado em 1990 e contem 80 estrofes em sextilhas. A obra mostra o lado afetivo dos animais selvagens e a suas capacidades de amar os seus donos. Li esse livrinho pra minhas filhas e meu filho quando cada um em seu tempo foi alfabetizados em Feira de Santana. Ele vai continuar na estante. Parabéns poeta.
Quintas da Poesia e a rapsódia nordestina
Aprendi a gostar de cantoria com Eliziane Rufino, que me apresentou esse mundo que de certa forma já era meu. Em Feira e Santana assisti ao Festival de Violeiro do Nordeste durante 17 anos, cinco na mesa de júri. Em Serra Talhada os encontrava no dia de feira-livre. Os matutos chegavam bem cedinho, estendiam no chão suas lonas e arrumavam então as “coisas” que traziam para vender, rapaduras, alfenins, candeeiros, tripés, caçarolas... As mulheres abanavam brasas e as labaredas subiam. Respingos de gordura de tripa de torresmo caiam nas brasas e faziam à fumaceira incandescente. Os pedintes se acomodavam pelos cantos das calçadas e estendendo suas cuias tiravam um gemido diferente para chamar a atenção de quem passava. Eu passeava por aquele cenário buscando uma ouvir a cantoria dos violeiros. Não era sempre. Era raro. Quando os encontrava estavam em pé, de viola na mão, nos pés uma bandeja para a gente deixar a paga, nos lábios os mais ricos improvisos. Cantavam “coisas” pertinentes ao nosso modo de viver, as nossas dificuldades e mazelas nessa região nordestina assinalada pelo estigma da seca, marcada no quadro dantesco do sertão adusto. Nosso sofrimento era motivo de inspiração e assim descobri os maiores valores da nossa gente: a poesia dos repentistas.
A cantoria de viola provou sua hegemonia, mas não para todos, pois somente quem foi iniciado nos mistérios do universo do sertão são capazes de enxergar, sentir e viver a arte dos repentistas, expoentes da inteligência, mestres consumados nos repentes e insuperáveis nos improvisos. Hoje eu só não me identifico com o me confundo com a poesia de improviso dos repentistas.
Em Serra Talhada acontece na segunda quinta de cada mês um encontro de cantadores repentistas no Restaurante SÃO MARTINS no Alto da Conceição. O encontro faz parte do projeto QUINTAS DA POESIA idealizado pelos poetas Francinaldo Oliveira e Damião Enésio que também fazem o programa diário VIOLAS NA CULTURA, das 6 às 7 da manhã na Rádio Cultura FM 92,9. O próximo encontro QUINTAS DA POESIA será em 13 de maio. Cícero Moraes é declamador no projeto. Visitando o seu blog teremos acesso às notícias culturais: é http://belmontepe.blogspot.com O FESTIVAL DE VIOLEIROS DE SERRA TALHADA acontecerá em 26 de junho com 6 duplas e 5 declamadores. Maiores informações com Cícero Moraes 9936 9842.

Fred Pinto comemora 30 anos de Artes Plásticas em Serra Talhada
O artista plástico e escultor Fred Pinto, natural de Garanhuns e há 20 anos reside em Serra Talhada, comemora 30 anos de Artes Plástica. Formado pela Escola de Belas Artes em Recife sua produção destaca-se por levar para as telas as cores e os signos de nossa gente. Suas esculturas têm um caráter simples e forte de acordo ou próprio da arte nordestina daí a originalidade que ele consegue usando toras de madeira.
Em 1984 Fred concluiu o curso na Escola de Belas Artes em Recife, especializando-se em seguida em Teoria e Prática de Pintura a óleo. No mesmo ano foi Classificado no 37º Salão de Artes Plástica do Museu do Estado em Recife. No ano seguinte, 1985 foi classificado e premiado no MASP, no Concurso da Pirelli e no 12º Salão dos Novos, no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco. Em Serra Talhada participou de uma coletiva “Mostrando a Arte” organizada pela Fundação Casa da Cultura em 1988, do Projeto “Pinte sua Escola” organizado pela Escola Cornélio Soares em 1989, de uma exposição em Praça Pública no Projeto “Resistência da Arte” em 1991. Em 1990 expõe a coleção individual “infantilidade Urbana”, no Espaço Cultural Banco do Brasil, no Recife. Em 1992 expõe suas esculturas em madeira do sertão.
O sertão, especialmente Serra Talhada com sua força, suas formas apresentadas e representadas, resumem todo um vocabulário plástico visual do artista. O sertão é o ponto de partida e chegada da sua obra, seu eixo temático e seu compromisso e realização como artista. Nas palavras do crítico e artista plástico Alerandro Garcia, a obra de Fred Pinto transita entre a abstração e a realidade, ignorando os conflitos que possam advir dessa dicotomia.
Fred diz que a sua pintura sofreu grande transformação quando foi convidado a freqüentar o Atelier de Anavaz, em Olinda, seus traços acadêmicos foram cedendo lugar a uma pintura mais ousada e menos técnica. “era realmente o que eu precisava” afirma Pinto. No início da sua carreira sua pintura absorvia característica de Vangohg, Miro, Cremonine, Brennand - pintores que ele admirava - Mais tarde, diz ele que “finalmente estava descoberto o meu estilo: o figurativo abstrato”. Afirma Fred Pinto.
Na escultura o que nos encanta é a capacidade que ele tem de se apropriar dos símbolos da nossa cultura, fauna, flora e até religiosidade e com isso marcar sua arte, delimitar seu espaço.
È um presente ter Fred Pinto entre nós. Indubitavelmente Fred já faz parte da história de Serra Talhada. PARABÉNS
Lubião,
como num jogo de ifá
O boi Lubião entrou na pracinha da Concha Acústica de Serra Talhada e no Espaço Marias foi recepcionado pelos Serra-talhadenses que naquela noite fria de 19 de junho de 2010 saíram do conforto dos seus lares para prestigiar o autor de Lubião. E na Coluna “Arte e Conflito” dessa edição, pretendo expressar a minha análise sobre aquele momento que, se eternizará na biografia do autor e que, nesse artigo permanecerá como fonte de pesquisa para a posteridade porque a análise dos fatos guarda fragmentos importantes da identidade de um povo. Em um segundo momento, quando as 332 páginas da narrativa do romance forem lidas por mim, farei uma resenha e publicarei nesse espaço.
A priori diremos que, a poesia e a literatura ocupam um espaço restrito no seio da sociedade brasileira e não seria diferente em Serra Talhada, município eminentemente comercial, carente de apreciadores das artes e da cultura. Repentinamente a cidade recebe o choque da modernidade e da intelectualidade com a instalação de várias faculdades com seus cursos e consequentemente com crescimento em vários seguimentos. A posteriori vemos que a cidade passa a corresponder plenamente a essa vocação moderna. Apesar da noite chuvosa e do frio houve um verdadeiro espetáculo de representação de um mundo para além do comércio. Começa a ser despertada uma valoração, uma mínima, mas significante valoração das pessoas para com a arte. E essa consciência não pode ser forjada, pois quem quiser acompanhar essa modernidade que vive hoje Serra Talhada, terá que valorar a arte no sentido absoluto.
Cabe aqui dizer que o número de pessoas presentes superou as minhas expectativas. Ademais, elas perambulavam pelo salão, cumprimentavam-se umas as outras, recebiam o autografo em seus livros e não se demoravam em voltar para seus lares.
Trata-se da consciência desperta e do lendário boi Lubião que como num jogo, advínhamos seu percurso, pois sua estréia já disse a que veio. O autor é membro da Academia Serra-talhadense de Letras e esta de parabéns.
(Nota de rodapé: Ifá é o mais profundo e complexo método de adivinhações das religiões africanas)


Carlos Silva e o teatro:
mais que uma alegoria, um imperativo
Da irreverente concepção de relacionamento entre a Arte e o seu público, Luiz Carlos da Silva Aquino ou apenas Carlos Silva, celebra 15 anos de palco. O teatro, a poesia e a prosa ganham formas inspiradas no imaginário do artista que além de ator e dramaturgo, escreve poesia e prosa e é membro da Academia Serra-Talhadense de Letras, ocupa a cadeira 27 é o romancista e teatrólogo recifense Lucilo Varejão. Carlos Silva nasceu na fazenda Cacimbinha de Caiçarinha da Penha, Distrito de Serra Talhada, mas seu primeiro intercâmbio foi em Portugal e Holanda em 2004.
Com a escritura dramática ele estreou em 1998 com a peça: Sem trabalho... Por quê?Daí não parou mais. Além de adaptações de textos para o teatro escreve “Confissões” e a “Casa de Mãe Chica”. “Confissões” ficou em 2º lugar como melhor texto no 1º Festival de Esquetes de Triunfo, 7 indicações e dois troféus. A peça também foi premiada no Festival de Teatro em Tuparetama. Já a “Casa de Mãe Chica” escrita e dirigida por Carlos Silva, teve lotação esgotada. Em 2007 a peça Confissões é remontada com várias mudanças e aprimoramento e um acréscimo no título: uma comedia divina. Para que nada roube a cena. Premiado como melhor ator, duas vezes seguidas. Em 2008 estréia o monólogo “Os malefícios do tabaco” e passa a integrar o elenco da peça “Enfim, só: solidão, a comédia” e adapta o texto Cyrano Rosalém para o teatro. A produção mais uma vez foi um sucesso e proporcionou o 3º troféu consecutivo de melhor ator o consagrado ator serra-talhadense Carlos Silva. Em
Em 2000 lança o livro de poemas, “Palavras de vida”, em 2005 “Francisco, o pequeno francês” e em 2009 lança “Sua voz” que é um romance de bolso.
Sua equipe teatral ETEAST, criada por ele no final de 1999, funde-se com o Centro Dramático Pajeú. 2009, outro monólogo, “Neurose” e “Eles e Elas”.
E assim, na posição conflitante de ser um artista e não ter um palco, da composição de personagens e da criação de pequenos territórios humanos Carlos Silva vai compondo a sua história dentro do universo Serra-talhadense. Parabéns Carlos desejamos muito sucesso pela frente.
VEREADOR MIRIM
Concluímos as aulas de oratória ministradas aos vereadores mirins de Serra Talhada. A oficina teve início em fevereiro e durante 10 encontros os vereadores mirins aprenderam técnicas de como falar em público e algumas noções de texto persuasivo.
O programa “Vereador Mirim” “A CÂMARA VAI À ESCOLA”, tem como objetivo promover a interação entre a Câmara Municipal de Vereadores de Serra Talhada e a escola, permitindo ao estudante compreender o papel do Legislativo Municipal dentro do contexto social em que vive contribuindo assim para a formação da sua cidadania e entendimento dos aspectos políticos da sociedade brasileira.
Os vereadores-mirins participam das reuniões plenárias da Câmara Municipal de Vereadores de Serra Talhada e apresentam pequenos projetos. A oficina de oratória tentou contribuir com aquisição de alguns conhecimentos para elaborar e apresentar tais projetos.
Encerramento do curso de oratória dos vereadores mirins
O programa “Vereador Mirim” tem como objetivo promover a interação entre a Câmara Municipal de Vereadores de Serra Talhada e a escola. Os vereadores mirins participam das reuniões plenárias da Câmara Municipal de Vereadores de Serra Talhada e apresentam pequenos projetos. A oficina de oratória ministrada pela professora Helena Conserva, tentou contribuir com aquisição de alguns conhecimentos para elaborar e apresentar tais projetos. A proposta para finalização do curso foi a elaboração de um texto dissertativo para mudar a apresentação da enciclopédia on-line Wikipédia que define Serra Talhada como “a terra natal do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (Lampião)”. O texto abaixo é do vereador mirim Gustavo Alves de Carvalho:
“Em qualquer lugar do mundo que se pesquise na internet sobre Serra Talhada a principal definição é que ela é a terra do cangaceiro Lampião. Ele foi tão famoso a ponto de estar na parte principal da história de Serra Talhada. Por isso elaboro essa proposta de mudança que dar tanta ênfase a Lampião. Claro que ele pode aparecer na história mas, não como a “terra de Lampião”. Serra Talhada tem tantas outras coisas melhores, como por exemplo o turismo, a bela serra que deu origem ao nome da cidade, possui trilhas para quem quer se aventurar e é cidade pólo em saúde, educação e comércio da região. É a cidade de grandes homens como Solidônio Leite, Luiz Lorena, Agamenon Magalhães, Inocêncio Oliveira. E ainda
Lorena Conrado um ano de saudades
No dia 25 de fevereiro de 2009 tivemos a notícia do falecimento do inesquecível confrade, colega e amigo Luiz Conrado de Lorena de Sá. A cadeira de número Um da Academia Serra-talhadense de Letras encontrava-se sem seu ocupante, sem o mestre, sem o pai. O pai de nossos projetos, de nossas idéias acadêmicas, sem a voz conselheira e amiga, pronta a nos atender a qualquer momento como um dicionário humano, seja por telefone ou pessoalmente. Ficamos ressentidos, mas satisfeitos por termos cumprido a nossa parte dando a Lorena o destaque que ele bem mereceu e ele foi feliz o quanto pôde ao nosso lado, nas reuniões acadêmicas, que impreterivelmente comparecia no horário tratado. Em conversas (sempre gravadas), Lorena me disse “eu então me sinto orgulhoso em dizer que fui um daqueles que participou com todo amor e com todo carinho das boas intenções de Helena, Dierson e Sandro para a fundação da Academia Serra-talhadense de Letras. Sou feliz por isso ainda mais, porque ocupo a cadeira de número Um, e tenho como patrono Agamenon Magalhães”.
No final do seu Discurso na Câmara dos vereadores em janeiro de 2003, ele reforça a sua satisfação com a Academia de Letras: “A honra da distinção que me enobrece para ocupar a cadeira número Um da Academia Serra-talhadense de Letras, que tem como patrono o estadista Agamenon Magalhães, aqui nascido e o convite para expressar meu pensamento nesta oportunidade como orador oficial, são evidentemente a razão do meu orgulho de ser integrante deste sodalício na arrancada em busca de novos campos do conhecimento humano”.
Lorena foi bom em tudo o que fez, porque em tudo o que fez, ele deu o melhor de si. Tento fazer o mesmo desde as pequenas coisas que me são atribuídas ou conquistadas, dedico o melhor de mim, todo o meu empenho afinal, mestres são para ser seguidos. Ele escreveu o maior e melhor livro sobre o nosso município, “Serra Talhada – 250 anos de história, 150 anos de emancipação política”, esse é o nosso legado. Sentimos nas páginas desse livro uma entrega total, o cuidado com cada palavra. O mestre pescava palavras. Ele mirava o infinito e estreitava os olhos na tentativa de buscar uma palavra que expressasse com mais precisão o que ele queria dizer e às vezes, quando a encontrava, repetia a cena em busca de outra. Faço o mesmo com os meus escritos.
Lorena jamais será esquecido nem como administrado, nem como homem de palavra, nem como amigo, como pai, esposo, empresário, conselheiro além de imortalizado pela academia de Letras.
O seu compromisso em relatar o passado era a prova de que tinha vocação pra historiador, disse: “Ao investigarmos os dias passados em busca de indícios, das palavras ditas, das experiências vividas atribuímos falas e olhares para aqueles que não estão vivos para se defenderem”. Com isso ele queria alertar os acadêmicos para que fossemos verdadeira nas nossas publicações. Pode deixar mestre que estamos seguindo o conselho (ou quase uma ordem).
Luiz Wilson (escritor e historiador) disse: Homem estudioso, inteligente, vocação admirável de historiador, de político (no bom sentido do termo), de condutor de homens e de destinos, orador fluente e cauteloso em seus pronunciamentos, exerce como que certo fascínio sobre os seus munícipes e goza de merecido prestigio em sua religião. Jose Rabelo de Vasconcelos (advogado e professor) disse que ele foi “enérgico com suavidade, corajosos com arrogância, desarmado de corpo e alma, afirmou-se como padrão de convivência social”. Seus amigos o admiravam e sabiam que ele já superava a condição de homem comum. Frederico Pernambucano de Melo (escritor e historiador) foi quem melhor expressou essa condição quando escreveu no prefacio do livro citado: “Luiz Lorena é um episódio muito elevado da consciência cívica sertaneja, a que um dia os filhos da Pajeú darão o valor devido. Ele já não mais se pertence, nem mesmo a sua família tão admiravelmente formada à sombra do patriarca. Já é uma instituição, a modo de memorial que encerrasse, entre as balizas da bravura e da solidariedade, a soma das qualidades do homem da velha ribeira pernambucana”. E ele por ele mesmo diz que a única coisa que tem consciência de que fez, foi amar Serra Talhada e os seus. Escreveu em seu livro: “Parodiando José Bonifácio, o patriarca da independência do Brasil, recomendo que gravem para o meu túmulo o seguinte epitáfio: Eu deste mundo só fico contente, que a Serra Talhada amei e a sua gente”. Luiz Lorena
Referencia: Serra Talhada – 250 anos de história, 150 anos de emancipação política – Luiz Lorena
Lorena Conrado e o
Curso de Direito em Serra Talhada
No dia 25 de fevereiro passado completou um ano do falecimento do inesquecível Lorena. Acreditamos que os serra-talhadenses do menos letrado até o mais intelectualizado gostariam de falar um pouco desse homem que se destacou pela inteligência e honestidade, que amou tanto essa cidade e tudo o que pôde fez por ela. Seu empenho para implantar em Serra Talhada o Bacharelado em Direito – este que é um dos mais antigos e tradicionais cursos universitários do Brasil – foi grande, curso que se firma como uma carreira indispensável à manutenção da democracia. Talvez por isso mesmo, por ser o Direito visto como mantenedor da democracia. O curso se preocupa em manter um diálogo com a realidade e com a sociedade na qual está inserido. Ademais, o bacharel em Ciências Jurídicas possui um amplo universo de atuação, pois era isso que almejava Lorena: o bem pra nossa cidade, e que também foi advogado. O curso de Direito hoje é uma realidade nossa, na FIS – Faculdade Integrada do Sertão. Como disse nossa mestra Marluce Simões em matéria publicada no Jornal Desafio, “Lorena sonhou e tornou o sonho possível”. O Curso de Direito da FIS hoje se prepara pra um processo de reconhecimento e para instalado o escritório de assistência jurídica pra assistir as pessoas carentes. A 1ª turma de Direito de Serra Talhada concluí em 2012.1. Segundo o Coordenador Acadêmico de Ensino da FIS e Coordenador também do Curso de Direito, professor Antonio Leite, há muito que festeja, pois as expectativas são grandes. A cidade só terá a ganhar.
Em nome de todos os serra-talhadenses o Jornal da Serra relembra Luiz Lorena. Sua história de vida esta intrinsecamente ligada a Serra Talhada e nós não nos esqueceremos.
Convite: “Cem anos do dia internacional da mulher: Perspectivas ou engodo?”
Conversarei sobre o tema acima no CEPAC - Centro de Ensino Experimental Professor Adauto Carvalho no dia 30 de abril, sexta-feira às 15:00h. O evento faz parte de um ciclo de palestras sobre o Dia Internacional das Mulheres e será aberto a quem quiser participar.
Dia Internacional da Mulher: até quando irão comemorar
Nasci na efervescência da Revolução Feminina. Na nossa casa assinavam-se várias revistas entre elas a Revista Manchete. Todas as matérias relacionadas á mulher eram lidas por mim, mesmo sem ter idade suficiente para entender o que se passava e muita coisa se passava nesse panorama: liberdade sexual, pílula anticoncepcional, direitos iguais. Compreendi melhor o que se passava quando comprei uma revista “Carícia”, nas bancas e sofri duras críticas de um parente meu que logo ganhou a adesão da minha avó e da minha mãe também, que atendendo as solicitações dele, arrancaram de mim a revista, rasgaram, jogaram no lixo e me descriminaram dizendo que eu estava sendo leviana. Fiquei chocada com esse ato de barbárie. Lembro-me desse episódio e todos os seus detalhes, roupas que usávamos, móveis da casa, fisionomia das pessoas, palavras que usaram. Comecei a entender porque as mulheres lutavam e comecei a gostar desse movimento e querer lutar também. Comprei outras revistas “Caricia”, pois elas não continham nada que pudesse modificar a minha personalidade. Para entrar na luta eu passei a desafiar os meus familiares dizendo: comprei e compro e que os direitos são iguais, se o homem pode eu também posso. Fui uma garota rebelde que no dizer de quem quer dizer: dei muito trabalho aos meus pais. No meu entendimento fui condizente com a minha época e não alienada ao que se passava conosco. Há mais ou menos uns 35 anos desse episódio até os dias atuais e as mulheres continuam se agredindo: mães, avós, irmãs, amigas etc. O discurso é que no contexto temos uma sociedade preconceituosa, dominada por homens. Esse é apenas um discurso falso. Na realidade somos uma sociedade preconceituosa sim mas, dominada por mulheres que despertam nos homens todo o preconceito e a subjugação que sofremos desde que o mundo é mundo. É a mulher a responsável por essa sociedade machista que temos, é a mulher que agride, critica, humilha e espanca umas as outras. È a mulher que semeia a discórdia, a desunião e a desavença. Há exceções, raras exceções porque algumas mulheres como eu, já assimilamos a necessidade de nos unirmos e nos defendermos seja em qual circunstância for. Devemos assumir um comportamento que nos una e não que nos separe. Enquanto não nos unirmos vamos continuar comemorando o dia internacional das mulheres e sendo cada vez menos femininas e mais feministas.

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